A Netflix estreou hoje Pulse (Pulsação em português), uma série médica ao estilo daquelas a que os canais públicos americanos nos habituaram nos últimos anos. Tal como já referi em críticas recentes a outros episódios pilotos, acho que o género médico está bastante saturado, por culpa de um mercado que usou e abusou desse tipo de séries. Assim sendo, já perdi um pouco o interesse por este tipo de histórias e de momento não acompanho nenhum drama médico, mas continuo a conseguir apreciar o género se certos ingredientes se combinarem bem.
Nos últimos meses espreitei alguns das mais recentes séries passadas em ambiente hospitalar e se Berlin ER não me convenceu minimamente, se The Pitt ficou muito aquém do que podia ser e Doc me deixou empolgada e com imensa vontade de ver mais, Pulse fica aqui um bocadinho atrás do drama com a médica amnésica.
A série da Netflix tem um começo de episódio sólido e empolgante que nos introduz o caso médico (múltiplos, aliás) que veremos ser tratado. Quando saltamos para o hospital, conhecemos alguns dos personagens principais e as suas dinâmicas e aqui comecei rapidamente a ficar intrigada com as vidas destes médicos, em especial Danny Simms (Willa Fitzgerald), que é, para todos os efeitos, a protagonista. Harper, a irmã mais nova de Danny, também é residente de medicina no hospital e desloca-se de cadeira de rodas. Há muito que se lhe diga em relação ao porquê de esta ser a realidade de Harper e foi uma das coisas que mais me deixou agarrada à história.
Importa também ressalvar que um furacão se aproxima de Miami e que promete dificultar a atividade hospitalar, mas para já ainda nada de muito dramático aconteceu. Um dos temas de maior destaque do episódio prende-se com assédio sexual, numa questão que envolve dois dos médicos do hospital. Também esta questão me deixou curiosa, mas não quero revelar nada que retire o fator surpresa a quem ainda não viu o episódio.
Em termos de drama médico, Pulse conseguiu sair-se bem. Não escapou a alguns clichés do género, mas foi capaz de introduzir temas e personagens com os quais nos preocuparmos e manteve um bom ritmo durante os 45 minutos de episódio. A banda sonora foi simpática, mas o destaque de Abby vai para a cena emotiva que Danny partilhou com um paciente que se encontrava a passar por um momento complicado. Fitzgerald mostrou aqui excelentes capacidades de representação que não me tinha apercebido que tivesse em Reacher, onde tem um papel mais apagado.
Em suma, não estamos perante uma série extraordinária, mas Pulse oferece mais do que o suficiente em termos dramáticos e tem tudo para agradar aos fãs deste género, embora não traga nada de inovador.